sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Pardalinha







"Amo-te Pardalinha" deve ter sido das melhores mensagens que já vi grafitadas nas paredes de Lisboa. Dei com ela no outro dia, à beira Tejo e imediatamente esbocei um sorriso pensado no orgulho de quem afirma, de uma forma tão duradoura, a admiração pela avezinha da sua vida (que também pode ser a vergonha de quem vê exposto o carinhoso nome que lhe deram... neste caso por um tal de Crespo).


O que é certo é que serviu para lembrar-me de uma série de casais que conheço ou conheci que se dão (ou, em alguns casos, davam) mutuamente os nomes mais estranhos.

A começar por uns primos do meu pai (a Eva e o Desidério) que sempre se trataram por "velhinha" e "velhinho". Era um sinal de amor mas convenhamos que um pouco decadente. Um amigo meu trata a mulher por "Andrezinho" (!) ou "Bambam" e um outro primo, também ele já com uma certa idade, tratava a companheira dos ultimos (muitos) anos por "Bezugo". Ou ainda, em ataque meloso de paixão, por "Bezuguinho"... Não é uma visão bonita mas o certo é que ali até rimava.


Depois temos a Tia Nocha que trata o marido por "Picho" ou "Pichinho", um ex colega de trabalho que tratava a mulher por "fofinha" (ela não era nada gorda) e um amigo de infância a quem a mãe e as irmãs tratavam por "cookie"... acho que ainda tratam.


O meu pai tratava a minha mãe por Carpia, como legitima descendente da Carpissa. Aliás, todos os meus tios espanhois tratavam as mulheres assim. Isto, contudo, era mais por provocação... é que a Carpissa ficou conhecida por ser uma mulher determinada (ou teimosa) e temperamental (ou com mau feitio) e qualquer associação com esta era mal interpretada pelo lado feminino da minha familia materna.

Há ainda a "Kikolita", o "Wally", o "Chancho" e a "Popota" ou "Popotinha"... Tudo nomes fantásticos, nada fáceis de soletrar, mas que poderiam perfeitamente estar estampados numa qualquer parede de Lisboa, acompanhados também eles de um coração vermelho gigante.


Quanto à Pardalinha, não faço a minima ideia se será assim tão amada quanto indica o Grafitti e se o nome vai durar muito mais tempo. O que sim sei é que, se tiver 10% do sucesso que estes tiveram e durar o tempo que duraram, já não é nada mau.

PS: Os Graffitis da Pardalinha e do Crespo estendem-se por uma série de paredes desde Algés até Alcantara e sempre com vista para o Tejo... 4 Km de manifestações únicas. Agora sim tenho certeza que a Pardalinha viverá para sempre feliz com o seu Crespo.

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