
Voltou tudo (ou quase tudo) de férias com energia redobrada. As cores do verão, os quilos a mais de tanta churrascada e bola de berlim, o olhar perdido no horizonte com saudades da areia ou da montanha... olham para nós com a cumplicidade estranha de quem partilhou experiências ainda que não no mesmo destino.
O encanto é logo quebrado quando o interlocutor, ainda não tão queimado, diz "eu não fui de férias... só lá para Outubro". O (ex) veraneante transforma-se. Começa logo a perguntar como estão as coisas, que tal vai o negócio e o que há de novo. A cara muda e o olhar relaxado e disperso transforma-se em algo próximo a "vamos lá mostrar preocupação e seriedade agora que voltamos à vida real".
Ainda ontem a Fátima dizia que os primeiros quinze dias de Setembro são muito maus. Mesmo MUITO maus. Concordo a 100%. Os pais não sabem o que fazer em Lisboa com as crianças ainda sem escola, o transito volta a ser o caos de sempre e a depressão pós verão (ou pré inverno) instala-se na maioria dos lares... o calor continua lá fora mas o tempo e os afazeres não permitem voltar à praia (mesmo que ela esteja do outro lado da rua...).
É por isso que, de regresso ao trabalho, todos se entregam de corpo e alma às tarefas que abandonaram, hibernando, até ao próximo ano, a fera de verão em que se transformaram escassas semanas antes. Os piores são aqueles que se desunham em sucessivos pedidos de reunião, de ponto de situação ou outras. É como se a vida tivesse parado enquanto todos estavam a banhos. Para isso há que recomeçar por algum lado e nenhum melhor que o esquema das reuniões: para anunciar, expressa e visivelmente, que estamos de volta, somos imprescindiveís e não abdicámos do poder/cargo/funções que tinhamos só porque cedemos à tentação e metemos os pés na areia... Assim, pouco a pouco, começamos a preencher uma agenda que se viu vazia. Misteriosa, assustadora e perigosamente vazia.
A todos estes e como homenagem, deixo a nota anexa e um conselho: Pensem mais na praia (mesmo que não estejam de férias) e menos no show no trabalho... eu, que ainda não fui a banhos, garanto que resulta.
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