Parabéns Mikito! Hoje fazes anos.
Ainda não sei muito bem se Cabul, com as suas linhas telefónicas malucas, nos vai deixar falar por isso decidi escrever-te este post. É sobre algo que há muito queria dizer e reconhecer e, sinceramente, não vejo melhor maneira de o fazer que esta.
Tem a ver com a Estudantina Universitária de Lisboa, a tua vida, a minha e a de toda a familia.
Lembro-me que a Estudantina apareceu, vinda não sei bem de onde, ainda nos tempos de Faculdade. Ouvia-te falar dela em casa, dos diversos amigos que por lá passavam, das musicas, dos ensaios e concertos. Dos caloiros que chegavam e daqueles que, por uma ou outra razão, deixavam de fazer parte. Assisti a espectaculos e participei de jantares até um ponto em que, confesso, cheguei a enjoar a Estudantina.
Acho que para isso contribuiu o facto de lá em casa se ouvirem até à exaustão e pela tua mão os CDs com os ensaios próprios, aqueles com versões das outras tunas e as gravações (não sei se ilicitas mas feitas com gravadores de baixa qualidade) de espectaculos por esse país fora. Ouvi as histórias das viagens (o "Uma bez, binha eu da Xuicha...", os desmaios em Passofundo, os encontros com outros VIPs nos festivais...) e não me cansei de dizer que mais pareciam uma seita religiosa (tudo em honra do Deus Bandolim) que um grupo musical.
Nessa altura via a Estudantina como "aqueles fundamentalistas dos acordes perfeitos" que nos olhavam simpaticamente, a nós - pobres mortais com vozes sofriveis, com profunda condescendencia. A verdade é que eu também adorava a vossa musica... mas tanto também era demais! e ter de ficar sentado (sob pressão tua... fisica!) a ouvir pela trigésima vez os "graves" (ou seriam os agudos?) de um qualquer solista de outra Tuna... era dose! Por vezes dava comigo a pensar se o enjoo não seria provocado também por um ataque de ciumes ao ver o meu irmão mais novo num caminho próprio. Enfim...
Duvidas e questões à parte, o que é certo é que a Estudantina, com o tempo, passou a estar presente em qualquer festa ou comemoração familiar, fosse aniversário, baptizado, casamento ou mera reunião ocasional. Certo como o IRS, nesses festejos saia cantoria da grossa.
Em casa ou num restaurante, finalizadas as sobremesas, lá surgia o medley ensaiado a solo ou em conjunto pelo grupo. Era uma espécie de tradição que se cumpria religiosamente e que, tenho a certeza, não deixava ninguém indiferente.
Acho que falo por todos quando digo que associamos alguns desses festejos à presença (ou não) da vossa musica. Quem pode esquecer a Serenata da Estudantina, já de madrugada, no baptizado do Antonio na Marmeleira (durou até as 4 da manhã com a Abuela Herminia a resistir estóicamente)? Ou a entrada da Caia na Igreja da Graça ao som do "Infante"? E as dezenas de Parabéns cantados a mais de duas vozes em igual numero de festas de aniversário?
Mais. Graças à Estudantina uma das primeiras palavras que o Antonio Maria disse foi "microfone" (ou, na sua linguagem internacional, "Mikito John"...) e não me admira nada que o Francisquinho consiga já marcar o ritmo numa caixa de fósforos...
Posso dizer que gastei "A Viagem" de ouvi-la tanto no Brasil. Chorava baba e ranho sempre que relembrava a familia, os amigos, a cidade, o país... Lavava a alma com aqueles acordes e a tua voz.
Acho que nem tu nem a Estudantina fazem ideia de como aquelas musicas, que também são tuas, influenciaram (e ainda influenciam) as nossas vidas. A minha, pela companhia que sempre me fizeram. A tua, por te terem transformado no Ali de hoje. A de todos, porque as vemos como a verdadeira banda sonora de uma familia, sempre presente nos momentos importantes.
Sei que todos quantos fazem parte desse grupo de cantorias são como uma segunda familia para ti e isso deixa-me feliz. Também eu os sinto assim e os reconheço como parte nossa.
Por tudo isto e muito mais a tua prenda, este ano e por razões óbvias de distância, é este reconhecimento. Prometo que hoje, se houver cantoria e como redenção, não vou desafinar. E no próximo ano, nesta mesma data e contigo presente, podes ter a certeza que vou conseguir cantar até ao fim sem descer um tom. De qualquer forma, com ou sem cantoria, um brinde por ti está mais do que garantido!
Beijos Enormes.
Eu
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