quarta-feira, 29 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Dezoito


Homenagem aos dois do 18 de Maio (por ordem de chegada).
O Antonio é uma espécie de embaixador, no presente, das civilizações antigas. Sempre que pode relembra-nos a importancia que têm, no nosso dia a dia, os feitos daqueles heróis, Deuses e até comuns mortais. Por isso, e porque nas homenagens convem trazer algo de que o homeageado goste (e eu ainda não estou inspirado o suficiente para falar sobre o Noddy para o Kiko..) lá fui ver que festejos haveria, na época dos antigos, para esta data. Consultei a enciclopedia dos tempos modernos e lá vi que neste mesmo dia, a 18 de Maio, festejava-se o Deus Pan.
Pan tornou-se símbolo do mundo pagão por ser associado à natureza e simbolizar o universo. Em Roma era conhecido como Lupércio, Deus dos pastores, e foi associado à caverna onde Romulo e Remo foram amamentados por uma loba. Os sacerdotes que o cultuavam vestiam-se de pele de bode.
Pan apaixonou-se pela ninfa Arcadiana Syrinx (lindo nome para um gato...), que rejeitou com desdém o seu amor, recusando-se a aceitá-lo como seu amante pelo facto de ele não ser nem homem, nem bode (compreende-se, qualquer mulher faria o mesmo).
Pan então perseguiu-a mas Syrinx, ao chegar à margem do rio Ladon, viu que já não tinha possibilidade de fuga e pediu às ninfas dos rios - as Náiades - que mudassem a sua forma (aqui está um nome simpático para uma criança... Náiade Cristina, Vanessa Náiade). Estas, ouvindo as suas preces, transformam-na num bambu. Quando Pan a alcançou, quis agarrá-la mas viu que não havia nada excepto o bambu e o som que o ar produzia ao atravessá-lo.
Ao ouvir este som Pan ficou encantado, esqueceu a infeliz da Syrinx (que a esta hora, se não fosse medrosa e se tivesse deixado apanhar, estaria casada e confortavelmente instalada na gruta do Romulo e Remo...) e resolveu então juntar bambus de diferentes tamanhos, inventando um instrumento musical ao qual chamou syrinx, em honra à ninfa. Este instrumento musical é conhecido mais pelo nome de Flauta de Pan, em honra ao próprio deus.
Hoje em dia as Flautas de Pan são também conhecidas por ser o instrumento principal daqueles grupos de indios (normalmente Peruanos...) que se instalam com uma parafernalia imensa (instrumentos, amplificadores, microfones, plumas e machados) no centro de qualquer cidade do Mundo e se dedicam a tocar versões ininterruptas de "O condor passa..." ou a musica do Titanic versão flauta de Pan.
E tudo por causa do bode, da Syrinx e das Náiades Cristinas... Brutal.
O que é certo é que esta história só me leva a dar razão total e absoluta ao António: as civilizações antigas estão mesmo no nosso dia a dia. O meu sobrinho é o maior!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
MOSKA
Paulinho Moska é o melhor compositor/musico do Brasil.
Conheci-o em 2003 na inauguração do hotel Pestana Bahia sem nunca ter ouvido sequer uma música dele e a primeira impressão foi… nula. Nem boa nem má. Foi convidado juntamente com um grupo de “globais” que daria visibilidade à inauguração do hotel na imprensa cor de rosa brasileira. Um grupo que incluía actores de telenovelas, filhos de empresários e Jet Set de São Paulo e Rio. Confesso que, antes de chegarem, já havia preconceito: Moska era um dos caprichosos, insuportáveis e exigentes globais… O que é certo é que, entre o trabalho da festa, os convidados de Portugal e o stress da abertura, Moska passou-me completamente ao lado. Veio com a namorada (acho que uma famosa actriz paulista) e, assim como chegou, foi-se embora. Sem dar por ele...
Tempos depois encontrei o primeiro cd do Paulinho Moska nas lojas americanas (espécie de Polux cá do sitio..) e, como era barato, levei-o para casa.
O Cd chamava-se “Eu falo da minha vida o que eu quiser” e, melhor que o titulo, só mesmo as musicas e as letras que lá estavam.
Ouvi aquele Cd vezes sem conta, decorei as letras e hoje, quando o encontrei na minha (ENORME, diriam alguns mal formados…) secção de música brasileira, relembrei as músicas, a festa do Pestana Bahia e, como não, o grupo de globais.
Tenho todos os cds dele (num aparecem fotos tiradas no próprio Pestana Bahia… reconheci as torneiras e a cor das paredes da Suite..), sei as músicas, conheço as letras mas, curiosamente, nunca vi um espectáculo seu ao vivo. Ao mistura-lo com os globais, perdi a oportunidade de conhecer o melhor musico do Brasil.
Se soubesse o que sei hoje, faria como fiz com a Alcione: mandar rosas e champanhe ao quarto e declarar, no lobby do hotel, que era o seu maior fã… Ou então plantava-me à frente dele e dizia “você pode não acreditar mas nós somos os melhores amigos de sempre”. E somos. Porque é impossível não ser o melhor amigo de quem escreve e canta assim.
VENUS by Paulinho Moska
Não falo do amor romântico,Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Festa das borboletas

na passada terça, às 5 da tarde, fui convocado com urgência por um assunto da maior importância: Realizava-se a Festa das Borboletas à Av do Brasil. Grande stress, larga tudo, fecha o computador e acelera que a questão é grave. O certo é que lá atravessei a cidade para chegar o antes possivel ao referido encontro.
A excitação era grande e via-se que tinha havido muita preparação para o dia: pinturas nas paredes, decoração com flores, mesa posta para o lanche, musica ambiente (não recomendo o cd...) e, claro, comité de recepção pronto para receber os convidados. Sem sequer ter tempo para apreciar os detalhes fui logo acompanhado para a mesa, iniciando-se aquilo que parecia ser o segundo round de um lanche anterior..
Só então percebi que a razão da festa era, nada mais nada menos, o aniversário de 95% das borboletas de todo o Mundo... O preciosismo do numero vinha de uma teoria do Einstein (!) que defendia o nascimento conjunto desta quantidade de borboletas por uma qualquer conjugação da terra com a lua e todos os outros planetas (algo deste estilo..). Achei que fazia sentido toda aquela agitação por um evento tão importante e, mais sentido ainda, a convocatória urgente. Próximo ano não me posso esquecer desta data...




terça-feira, 14 de julho de 2009
The Selby
Este site http://www.theselby.com/ foi-me recomendado há algum tempo. Não o dispenso. A ideia é simples: fotografar pessoas nas suas casas e/ou locais de trabalho.Obviamente temos estilistas, artistas, empresarios. Como diz Selby "interesting people and their creative spaces..." As fotos são fabulosas e as histórias do melhor. Deve ser a colecção de personalidades mais curiosa do planeta (vejam em Los Angeles o "Mark the cobrasnake" e os seus 2 avós)... e os espaços de trabalho ou casas mais divertidos.
No final da sessão os entrevistados respondem a um inquérito que não ocupa mais de uma folha sobre a sua vida, a sua casa, o que pensam e do que querem falar. Simples. Como as respostas dadas, à mão, nas próprias perguntas. Uma ideia a roubar...
Crazy People
Muito divertido.. O ultimo é para a Leonor ;)
http://www.youtube.com/watch?v=jwMj3PJDxuo&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0&feature=channel
http://www.youtube.com/watch?v=WkBepgH00GM
http://www.youtube.com/watch?v=jwMj3PJDxuo&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0&feature=channel
http://www.youtube.com/watch?v=WkBepgH00GM
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Anuncio de leilão

Ontem descobri que havia leilão, nessa mesma noite, numa qualquer sala de Lisboa. No meio do Leilão, entre pratos Companhia das Indias, Canapés e todo o tipo de anéis, estavam alguns objectos do meu imaginário de criança: duas aguarelas do Max Romer! Aquelas aguarelas fantásticas, retratos de uma Madeira que teimou em desaparecer, cheias de cor, de buganvillias, de glicinias e céu azul. Eram verdadeiras obras de arte à minha escala: enchiam de cor as paredes brancas das casas onde ia e traziam para dentro muito do que se via lá fora. A mistura de cores era fora de série, a luz unica e os enquadramentos insuperaveis. Lembro-me da gradavel surpresa que era encontrar e reencontrar obras do Max Romer em tudo quanto era casa de amigo e até de familia. A Madrinha do Ali tinha uma na sala de televisão e a Maria do Céu exibia orgulhosa duas aguarelas fantásticas mesmo no hall de entrada de casa (uma delas com uma paisagem nocturna), herança da Tia Aurora de Santa Cruz (ou seria outra tia?). Mas quem ganhava a taça era o Desidério: fruto de uma qualquer relação da avó com o Max Romer (julgo que trabalhava lá em casa...), o Desidério foi a pessoa que melhor conheci e que mais Max Romer tinha. Deliciava-me ver aqueles cromos ilustrados da Madeira (a Eva guardava muitos na gaveta, sem emoldurar) e lembro-me de olhar pela janela e pensar que aquilo era uma réplica fiel da Madeira que eu via: Colorida, leve e feliz.
Fui sempre tropeçando nos quadros do Max Romer e é curioso nunca ter sequer conhecido alguém que o conhecesse. Via-o como um inglês de idade avançada, chegando no inicio do século e ao nascer do sol ao Funchal, trazido por um qualquer cruzeiro, daqueles que faziam a ligação com a Velha Albion. Imaginava-o a desembarcar na Pontinha e a pensar que aquele passaria a ser o cenário das suas próximas criações. Depois de um breve passeio pelo centro (obviamente num carro de bois...), consciente que nada o prendia a Londres (quase não tinha parentes, a venda do negócio de familia rendia-lhe o suficiente para viver num local daqueles e sempre manteria o contacto com os amigos que o viriam visitar) decidiu viver naquela baia. Arrendou uma casa de dois pisos, algures em São Gonçalo, e passou a desfrutar todos os dias do seu terraço debruçado sobre o mar. E nesse mesmo terraço certamente cresceriam as mesmas buganvilias e glicinias que ele tanto queria retratar. Assim, imaginava eu, teria vivido o melhor pintor da minha ilha.
Descubro agora que, de facto, Max Romer chegou à Madeira em 1922 e ali viveu até morrer em 1960. O que sempre foi Londres no meu pensamento resultou ser Hamburgo e o velho inglês que imaginava ter morrido sozinho, longe da sua familia inglesa, num fim de tarde e sentado na sua varanda em São Gonçalo, afinal viveu rodeado da familia e amigos na Rua Major Reis Gomes... Freguesia da Sé!
De qualquer forma, os acidentes de percurso que a minha imaginação deu à vida de Max Romer pouco interessam para o caso. O mais importante é que foi graças ao Max Romer e aos seus quadros que, naquele tempo, decidi que tinha de ser pintor. Também eu queria retratar as mesmas paisagens, casas e ruas, se possivel daquela mesma forma. Passar para o papel o céu azul, as nuvens brancas, as buganvilias e glicinias que via em cada esquina. Fixar uma Madeira que era muito mais que o betão que hoje conhecemos.
Fiquei feliz por ter reencontrado o Max Romer, passados tantos anos, num leilão da capital... Acho que ainda vou a tempo.
«(...)Na Madeira, em paisagem, não há o feio. Há o bonito, há o belo e o grandioso. A paisagem é sempre diferente em cada trecho. Não há a monotonia. Pela costa recortada e acidentada, toda ela altos promontórios e pequenas praias, pelas vertentes, cheias de cultura, em que o verde varia até o verosímil, pelas montanhas, pelas povoações tão fortemente cheias de pitoresco, nós os artistas, encontramos em excesso os quadros que desejamos fixar. Em um pequeno passeio, surgem ante os nossos olhos, motivos para numerosas telas (...)»
Entrevista a Max Römer, Diário de Notícias, Funchal, 21 de Janeiro de 1932
Entrevista a Max Römer, Diário de Notícias, Funchal, 21 de Janeiro de 1932
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