Paulinho Moska é o melhor compositor/musico do Brasil.
Conheci-o em 2003 na inauguração do hotel Pestana Bahia sem nunca ter ouvido sequer uma música dele e a primeira impressão foi… nula. Nem boa nem má. Foi convidado juntamente com um grupo de “globais” que daria visibilidade à inauguração do hotel na imprensa cor de rosa brasileira. Um grupo que incluía actores de telenovelas, filhos de empresários e Jet Set de São Paulo e Rio. Confesso que, antes de chegarem, já havia preconceito: Moska era um dos caprichosos, insuportáveis e exigentes globais… O que é certo é que, entre o trabalho da festa, os convidados de Portugal e o stress da abertura, Moska passou-me completamente ao lado. Veio com a namorada (acho que uma famosa actriz paulista) e, assim como chegou, foi-se embora. Sem dar por ele...
Tempos depois encontrei o primeiro cd do Paulinho Moska nas lojas americanas (espécie de Polux cá do sitio..) e, como era barato, levei-o para casa.
O Cd chamava-se “Eu falo da minha vida o que eu quiser” e, melhor que o titulo, só mesmo as musicas e as letras que lá estavam.
Ouvi aquele Cd vezes sem conta, decorei as letras e hoje, quando o encontrei na minha (ENORME, diriam alguns mal formados…) secção de música brasileira, relembrei as músicas, a festa do Pestana Bahia e, como não, o grupo de globais.
Tenho todos os cds dele (num aparecem fotos tiradas no próprio Pestana Bahia… reconheci as torneiras e a cor das paredes da Suite..), sei as músicas, conheço as letras mas, curiosamente, nunca vi um espectáculo seu ao vivo. Ao mistura-lo com os globais, perdi a oportunidade de conhecer o melhor musico do Brasil.
Se soubesse o que sei hoje, faria como fiz com a Alcione: mandar rosas e champanhe ao quarto e declarar, no lobby do hotel, que era o seu maior fã… Ou então plantava-me à frente dele e dizia “você pode não acreditar mas nós somos os melhores amigos de sempre”. E somos. Porque é impossível não ser o melhor amigo de quem escreve e canta assim.
VENUS by Paulinho Moska
Não falo do amor romântico,Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
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