domingo, 29 de maio de 2016
domingo, 9 de maio de 2010
Gladys & George
Gladys e George Hawkins eram o típico casal inglês de meia idade. Reformados, viviam numa casa térrea forrada a tijolo, numa qualquer aldeia perto de Londres. A esta só iam se e quando estritamente necessário. O barulho e caos da grande metrópole contrastava com a sua verdadeira paixão: as flores. No pequeno jardim de casa cultivavam todo o tipo de espécies, muitas delas provenientes das viagens que faziam.
Um qualquer Operador turístico levou-os, a meados dos anos 70, a uma ilha reconhecida pelos Ingleses graças ao verde das montanhas e ao colorido das flores nos jardins. A Madeira tornava-se, assim, parte da vida daquele casal.
O que ao inicio era apenas mais um destino de férias pronto se tornou um hábito e Gladys e George rapidamente se tornaram visitas frequentes das Levadas da Madeira. Vinham duas a três vezes por ano, ficavam sempre no centro do Funchal (na residencial Colombo) e dedicavam os seus dias a conhecer, melhor que muitos madeirenses, cada canto da Ilha.
Foi numa dessas viagens, no inicio dos anos 80, que ambos deram de caras com a minha família madeirense. Julgo que aconteceu num jantar (tinha pouco mais de 10 anos na altura) em que os Hawkins coincidiram numa mesa ao lado dos mais ruidosos e espalhafatosos personagens da família. Um pedido de desculpas pelo barulho provocado durante o jantar e a compreensão britânica de toda aquela alegria portuguesa, fez com que Gladys & George passam-se a ser, oficialmente e sem grande esforço, amigos de casa. Nessa mesma noite foram desviados para uma prova de vinho madeira acompanhado de bolo de mel, demonstração da melhor hospitalidade madeirense.
A partir dessa data, e ao longo de muitos anos, não havia visita à Madeira que não incluísse uma visita ao Alipio e à Chola, ao Emilio e Avelina, ao Desidério e Eva, os amigos madeirenses. Chegavam sempre sem avisar, invariavelmente carregados com tabletes de chocolate Cadburys para as crianças (um luxo para a época) e chás Earl Grey para a minha Avó Felicidade (a quem, gentilmente e apesar de próximos na idade, sempre trataram por “Granma”).
As conversações entre os Ingleses e os autóctones eram, a maior parte das vezes, traduzidas pelos mais novos, exercitando o que aprendíamos na Academia de Línguas da D. Gabriela. Mas a comunicação era fluida entre todos: a minha mãe era a única que lhes falava sem tradução e sempre em Espanhol enquanto o resto da família falava como podia, convertendo muitos dos termos ingleses num dialecto próprio. Quando havia impasse no diálogo à conta de uma palavra mais complicada, a mímica entrava a funcionar, acabando invariavelmente em sonoras gargalhadas. Gladys era a mais faladora enquanto George, com o seu magnífico bigode, óculos de massa e casaco de malha, se limitava a assentir divertido tudo o que a mulher dizia. A cara de Gladys só se contraía quando alguém perguntava a George se queria mais vinho Madeira e ele respondia “Yes… un poquito, thank you”…
Falavam da nossa Madeira de uma maneira única e especial, descreviam os seus passeios e descobertas com uma adoração que muitos de nós, apesar de madeirenses, não tínhamos. Assim passavam tardes inteiras, sentados na nossa sala, fora da natureza de que tanto gostavam mas visivelmente felizes por fazerem parte daquele confuso mas alegre grupo.
Os anos passaram e Gladys e George eram parte da família. Além das habituais visitas anuais, recebíamos postais de Natal que descreviam como estava a família Hawkins, noticias sempre acompanhadas por fotografias que mostravam as várias estações de um jardim, algures em Inglaterra, repleto de flores da sua Ilha favorita. Muitas vezes as cores do jardim contrastavam com as notícias duras que lá vinham. Foi assim que, ao longo dos anos, recebemos a notícia da morte de George, a da perda de um filho que vivia na Austrália e as noticias das sucessivas quedas, fracturas e operações de Gladys. Esta continuou a visitar a Madeira e a aparecer em nossa casa, como sempre, de surpresa.
Na passada semana, ao retirar alguns livros de caixotes, encontrei um em inglês sobre a flora da Madeira. Ilustrado com umas aguarelas de paisagens da Ilha, dentro do livro estava também um bilhete manuscrito. Reconheci de imediato a letra dos postais que, tantas vezes e em voz alta, traduzi à família. Dizia que aquele livro tinha sido comprado na sua primeira visita à Madeira, que estava com ela desde essa altura e queria que agora estivesse comigo: eu certamente daria mais valor ao livro que algum familiar próximo que o recebesse em herança. Voltei a dobrar o bilhete, coloquei-o dentro do livro e arrumei-o na estante. Lembrei-me então de o ter recebido alguns anos atrás, por correio, em casa dos meus pais.
A “herança” de Gladys Hawkins está finalmente a descoberto e no lugar certo. Sorri ao pensar naquele simples toque de campainha que precedeu tantas visitas dos Hawkins à sua família madeirense: Em resposta ao habitual “quem é” recebíamos um feliz e sonoro GLADISSS! em impecável sotaque inglês… com entoação espanhola.

Um qualquer Operador turístico levou-os, a meados dos anos 70, a uma ilha reconhecida pelos Ingleses graças ao verde das montanhas e ao colorido das flores nos jardins. A Madeira tornava-se, assim, parte da vida daquele casal.
O que ao inicio era apenas mais um destino de férias pronto se tornou um hábito e Gladys e George rapidamente se tornaram visitas frequentes das Levadas da Madeira. Vinham duas a três vezes por ano, ficavam sempre no centro do Funchal (na residencial Colombo) e dedicavam os seus dias a conhecer, melhor que muitos madeirenses, cada canto da Ilha.
Foi numa dessas viagens, no inicio dos anos 80, que ambos deram de caras com a minha família madeirense. Julgo que aconteceu num jantar (tinha pouco mais de 10 anos na altura) em que os Hawkins coincidiram numa mesa ao lado dos mais ruidosos e espalhafatosos personagens da família. Um pedido de desculpas pelo barulho provocado durante o jantar e a compreensão britânica de toda aquela alegria portuguesa, fez com que Gladys & George passam-se a ser, oficialmente e sem grande esforço, amigos de casa. Nessa mesma noite foram desviados para uma prova de vinho madeira acompanhado de bolo de mel, demonstração da melhor hospitalidade madeirense.
A partir dessa data, e ao longo de muitos anos, não havia visita à Madeira que não incluísse uma visita ao Alipio e à Chola, ao Emilio e Avelina, ao Desidério e Eva, os amigos madeirenses. Chegavam sempre sem avisar, invariavelmente carregados com tabletes de chocolate Cadburys para as crianças (um luxo para a época) e chás Earl Grey para a minha Avó Felicidade (a quem, gentilmente e apesar de próximos na idade, sempre trataram por “Granma”).
As conversações entre os Ingleses e os autóctones eram, a maior parte das vezes, traduzidas pelos mais novos, exercitando o que aprendíamos na Academia de Línguas da D. Gabriela. Mas a comunicação era fluida entre todos: a minha mãe era a única que lhes falava sem tradução e sempre em Espanhol enquanto o resto da família falava como podia, convertendo muitos dos termos ingleses num dialecto próprio. Quando havia impasse no diálogo à conta de uma palavra mais complicada, a mímica entrava a funcionar, acabando invariavelmente em sonoras gargalhadas. Gladys era a mais faladora enquanto George, com o seu magnífico bigode, óculos de massa e casaco de malha, se limitava a assentir divertido tudo o que a mulher dizia. A cara de Gladys só se contraía quando alguém perguntava a George se queria mais vinho Madeira e ele respondia “Yes… un poquito, thank you”…
Falavam da nossa Madeira de uma maneira única e especial, descreviam os seus passeios e descobertas com uma adoração que muitos de nós, apesar de madeirenses, não tínhamos. Assim passavam tardes inteiras, sentados na nossa sala, fora da natureza de que tanto gostavam mas visivelmente felizes por fazerem parte daquele confuso mas alegre grupo.
Os anos passaram e Gladys e George eram parte da família. Além das habituais visitas anuais, recebíamos postais de Natal que descreviam como estava a família Hawkins, noticias sempre acompanhadas por fotografias que mostravam as várias estações de um jardim, algures em Inglaterra, repleto de flores da sua Ilha favorita. Muitas vezes as cores do jardim contrastavam com as notícias duras que lá vinham. Foi assim que, ao longo dos anos, recebemos a notícia da morte de George, a da perda de um filho que vivia na Austrália e as noticias das sucessivas quedas, fracturas e operações de Gladys. Esta continuou a visitar a Madeira e a aparecer em nossa casa, como sempre, de surpresa.
Na passada semana, ao retirar alguns livros de caixotes, encontrei um em inglês sobre a flora da Madeira. Ilustrado com umas aguarelas de paisagens da Ilha, dentro do livro estava também um bilhete manuscrito. Reconheci de imediato a letra dos postais que, tantas vezes e em voz alta, traduzi à família. Dizia que aquele livro tinha sido comprado na sua primeira visita à Madeira, que estava com ela desde essa altura e queria que agora estivesse comigo: eu certamente daria mais valor ao livro que algum familiar próximo que o recebesse em herança. Voltei a dobrar o bilhete, coloquei-o dentro do livro e arrumei-o na estante. Lembrei-me então de o ter recebido alguns anos atrás, por correio, em casa dos meus pais.
A “herança” de Gladys Hawkins está finalmente a descoberto e no lugar certo. Sorri ao pensar naquele simples toque de campainha que precedeu tantas visitas dos Hawkins à sua família madeirense: Em resposta ao habitual “quem é” recebíamos um feliz e sonoro GLADISSS! em impecável sotaque inglês… com entoação espanhola.

sábado, 8 de maio de 2010
Os Ratings
Três dias antes da falência do Lehman Brothers e AIG, o rating que lhes era atribuido pelas magnificas Moody´s, Standard & Poor´s e Fitch (as mesmas que agora nos colocam debaixo de água), era de AAA... 3 dias antes... alguém ainda confia nestes senhores de fatos às riscas? Pior, como não foram despedidos naquela altura, continuam a mandar palpites sobre as economias de paises e a descer os "ratings" sempre que lhes apetece... e nós, não lhes podemos descer o rating a eles??
"Analysts at the three biggest credit rating agencies who gave positive, investment-grade ratings to AIG and Lehman Brothers up until their collapse have not been fired or disciplined, the heads of the agencies admitted at a Congressional hearing today.
Moody's, Standard & Poor's, and Fitch Ratings all maintained at least A ratings on AIG and Lehman Brothers up until mid-September of last year. Lehman Brothers declared bankruptcy Sept. 15; the federal government provided AIG with its first of four multibillion-dollar bailouts the next day.
Under questioning by Rep. Jackie Speier (D-Calif.), Raymond W. McDaniel, Jr. of Moody's, Deven Sharma of S&P, and Stephen Joynt of Fitch said the analysts in charge of ratings for the now-disgraced firms are still employed.
The big three rating agencies have come under fire since the 2007 collapse in the subprime home mortgage market for issuing rosy ratings on a plethora of securities that are now considered to be junk. The Obama administration and Congress are exploring various reform proposals.
At the hearing today, the exchange between Speier and the agency chiefs was particularly contentious.
"You had rated AIG and Lehman Brothers as AAA, AA minutes before they were collapsing. After they did fail, did you take any action against those analysts who had rated them?" Speier asked. "Did you fire them? Did you suspend them? Did you take any actions against those who had put that kind of a remarkable grade on products that were junk?"
McDaniel answered first. "No, we did not fire any of the analysts involved in either AIG or Lehman," he replied."
"Analysts at the three biggest credit rating agencies who gave positive, investment-grade ratings to AIG and Lehman Brothers up until their collapse have not been fired or disciplined, the heads of the agencies admitted at a Congressional hearing today.
Moody's, Standard & Poor's, and Fitch Ratings all maintained at least A ratings on AIG and Lehman Brothers up until mid-September of last year. Lehman Brothers declared bankruptcy Sept. 15; the federal government provided AIG with its first of four multibillion-dollar bailouts the next day.
Under questioning by Rep. Jackie Speier (D-Calif.), Raymond W. McDaniel, Jr. of Moody's, Deven Sharma of S&P, and Stephen Joynt of Fitch said the analysts in charge of ratings for the now-disgraced firms are still employed.
The big three rating agencies have come under fire since the 2007 collapse in the subprime home mortgage market for issuing rosy ratings on a plethora of securities that are now considered to be junk. The Obama administration and Congress are exploring various reform proposals.
At the hearing today, the exchange between Speier and the agency chiefs was particularly contentious.
"You had rated AIG and Lehman Brothers as AAA, AA minutes before they were collapsing. After they did fail, did you take any action against those analysts who had rated them?" Speier asked. "Did you fire them? Did you suspend them? Did you take any actions against those who had put that kind of a remarkable grade on products that were junk?"
McDaniel answered first. "No, we did not fire any of the analysts involved in either AIG or Lehman," he replied."
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Birmania
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
O Natal do consultório

O que mais impressionava era o cheiro, misto de cera, tabaco e metal. Um perfume irreproduzível a consultório, a cura e desinfectante, misturado com o de casa vivida. Estava presente na entrada, cozinha, na sala de estar e, claro, na sala de atender. Nesta, a capela mor do meu pai, destacavam-se as pesadas cortinas de veludo ocre, sempre corridas por cima dos estores semi-fechados.
Ao entrar era difícil habituarmo-nos à penumbra, exigida pela especialidade de oftalmologia e pontualmente interrompida pelo candeeiro da secretária, uma outra luz num móvel ao canto e um aplique de parede que bravamente iluminava 3 desenhos a carvão com paisagens do Funchal. O chão em madeira castanha escura brilhava e reflectia a escassa luz graças à cera aplicada regularmente. O tom beige das paredes compunha o ambiente de respeito.
Ao fundo da sala a secretária em madeira e metal, que a nós nos parecia enorme, não se separava de outra figura de destaque: o impressionante cadeirão de braços que rodava, oscilava e deslizava sem esforço maior. Igual sorte não tinha o par de cadeirões em napa (igualmente ocres) colocados à frente da anterior, diligente e permanentemente aparafusados ao chão. A proeza foi feita pelo fiel Sr Horácio para assim impedir que fossem arrastados e se aproximassem de território sagrado: o tampo da secretária. Os poucos e arrumados objectos que ali estavam não podiam ser molestados por nenhuma mala de senhora, carrinho de criança ou saco de compras. Em cima da secretária só podiam estar os indispensáveis pisa papéis, relógio, porta canetas, todos estrategicamente colocados em posição de ataque contra qualquer desavisado que ousasse ali colocar fosse o que fosse. Lembro-me dos avisos secos de “sacos e malas no chão, que isto não é o balcão da mercearia…”. Ou dos risos contidos e camuflados do meu pai quando chegava algum doente novo e tentava a custo aproximar do Senhor Doutor a cadeira onde estava….
O tempo encarregou-se de juntar peças, móveis, quadros e objectos escolhidos a dedo por quem ali passava a maior parte do dia fechado. Uma das últimas aquisições foi uma estante em madeira com portas em vidro que rapidamente se encheu de livros sobre glaucomas e outras maleitas dos olhos. Como ainda assim sobrava espaço, acolheu-se também aqui a já extensa colecção de “bonequinhos médicos”: Dezenas de figuras nos mais diversos materiais, comprados, oferecidos ou simplesmente acolhidos naquele mini hospital feito em vidro.
Ir ao consultório era para nós um momento raro de excitação.
Lutávamos para ver quem ficava com as canetas e brochuras de propaganda médica, quem primeiro saltava para o cadeirão giratório ou quem descobria as surpresas guardadas nos armários. Isto porque a sala dos aparelhos tinha uma parede coberta de armários em madeira que escondia tudo aquilo que os doentes traziam de presente. No Natal, época própria para os reconhecimentos às habituais borlas anuais, os armários enchiam-se com todo o tipo de coisas, desde garrafas de whisky a bandejas de prata, passando pelos bordados, os bolos de mel e vinho madeira. Era uma autêntica caverna de Ali Baba onde o meu pai depositava os agradecimentos vindos das mais diversas pessoas.
Nesta visita anual aos armários do consultório, normalmente dois dias antes do Natal e sempre à noite, saíamos carregados. De coisas, mas sobretudo de emoção e orgulho. Ainda que não fossem precisas, ali estavam as provas de que o nosso pai era o melhor médico da ilha, o mais reconhecido.
Enchíamos o carro com os tesouros embrulhados em papel colorido e festejávamos dois dias antes como se o Natal fosse a dobrar. A surpresa era total já que o meu pai nunca abria aquelas prendas. Chegavam intactas a casa, de diversos tamanhos e envoltas na aura de mistério própria da época. No momento da abertura participava toda a família, sem excepção, recebendo explicações sobre quem tinha dado o que e porque. Por vezes um simples “naperon” bordado em casa era mais valorizado que uma garrafa de cristal comprada na “Maison Blanche”. Este era o verdadeiro espírito de uma noite mágica, antecipando um ainda maior Natal. O melhor Natal do Mundo.
Hoje não há ida ao consultório. Não há prendas a sobrar nem ataques às gavetas e armários. O Natal é diferente… mas é Natal. Os espaços são outros, as pessoas (algumas) são outras mas a história é a mesma. E para que ela não mude o importante é, tal como fazia o meu Pai naquelas vésperas, ir criando magia. Assim o Natal será, sempre, o mesmo Natal de sempre.
Para mim isto chega. É o princípio absoluto e imutável que faz com que este Natal seja outra vez o melhor Natal do Mundo!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Romi & Emi

Esta mensagem estava numa parede de Montevideo. A destinatária (Romina? Romana? Rominante?) parece ter mais que fazer que dar atenção ao nosso herói Emi (certamente Emilio) e este socorreu-se do passeio público para anunciar a sua revolta. É um misto de grito de desespero, chamada de atenção e ultimato final, feita, certamente, já em desespero de causa.
A Romi, que deve ser muito hermosa, não liga nenhuma ao nosso D. Quixote uruguaio. Este, em vez de lutar contra moinhos de vento, pegou numa lata de spray e reclamou, aos quatro ventos, um pouco de atenção. O principio é o mesmo, os meios é que são diferentes.
Se pudesse, convencia a Romi a dar nem que fosse um pouco de bola ao desgraçado do Emilio...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A Estrela Francisca


Foste a terceira a nascer. Num 28 de Novembro, pouco depois da meia noite, resolveste que já era hora de quebrar o suspense e fazer a tua primeira aparição.
Confesso que não me lembro onde estava eu nessa noite. Presumo que no Funchal, pronto para vir a Lisboa conhecer este novo elemento, mas isso pouca importância tem agora. O que sim importa é que estes 9 anos foram cheios de aniversários, almoços, jantares, baptizados, férias no Algarve, natais em família e festa. Muita festa.
Entre tanta animação sempre foram dizendo que éramos parecidos. “tal tio, tal sobrinha” é ainda frase corrente, pelos mais variados motivos: um dia são os olhos, no outro o cabelo (isto de ter caracóis em família de cabelo escorrido coloca-nos sempre no mesmo saco) e às vezes a teimosia (acho uma injustiça fazer esta comparação considerando que o meu caso era bem mais grave: batia com a cabeça no chão até conseguir o que queria… ou acabava com vultos na testa dignos de um personagem do Frankenstein!). Claro que tudo isso até pode ser verdade mas, da minha parte, continuo a achar que o segredo está no palco e na festa. Ou alguém vai negar que tu e eu somos imbatíveis neste campo?
Mais: considerando que eu já te levo uma vantagem de vulto (30 anos… exactos), diria que o teu futuro neste sector é bem mais brilhante. Tanto que hoje, nove anos passados e olhando um pouco para trás, tenho a certeza que tu não nasceste… estreaste! E quem se estreia desta forma não pode nunca sair de cena já que os papéis principais são para pessoas como tu.
Só por isso já acho que vivo cheio de sorte: vou estar aqui para acompanhar, ver e aplaudir. Ou não é esse o papel dos admiradores?
Parabéns Kika!!!!
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