
Devias ter perto de 3 anos quando, numa minha visita a Lisboa, decidimos fazer um passeio especial. Com o António, o tio Ali e a tia Caia lá partimos, numa tarde de Verão, a explorar o Museu da criança em Belém. O Museu não era mais que uma série de salas sucessivas com diversos jogos e animação, nos quais tu tentavas participar activamente. Insistias em fazer tudo o que teu irmão fazia e reclamavas quando alguém te impedia por falta de idade ou tamanho. Não sei quem gostou mais da visita (se voces ou nós os adultos) mas o que é certo é que chegámos ao fim sãos e salvos e o teu irmão com uns bigodes e barbicha. Nesta ocasião recusaste-te a que alguém te pusesse a mão para pintar uma borboleta na cara, ameaçando chorar a altos berros caso insistissem...
Saimos do museu e fomos directos para os jardins do CCB, aquele edificio que a voces certamente pareceu enorme e deserto. Antes do gelado e das Coca Colas, fartei-me de tirar fotografias vossas deitados na relva, com poses de modelo, ora sorrindo para a câmara ora fazendo cara de maus... porque as fotografias "normais" não têm graça nenhuma, certo?
Acabámos o "lanche" e, como já se fazia tarde e tinhamos ultrapassado o horário imposto para o regresso, decidimos levar-vos a casa. Nesse momento, não me perguntes porque, achaste que era hora de fazer uma birra em pleno pátio central do CCB... Escandalo? Não! Nem gritos nem alarde... simplesmente viraste as costas e foste embora no sentido oposto àquele onde estava o carro. Braços a abanar, cabeça coberta por um enorme chapéu azul e só vimos como te afastavas cada vez mais. Traçaste uma linha recta rumo ao infinito e nós ficámos à espera para ver quando paravas ou olhavas para trás. A tua figura diminuta, de mini saia azul às flores e t-shirt rosa, parecia cada vez menor à medida que caminhavas. Esperámos e nada... não te voltaste uma unica vez.
Nessa altura, furioso com a desobediência, fui a correr atrás de ti para te forçar a vir pelo bom caminho. Cheguei ao teu lado disposto a aplicar o meu poder de tio quando finalmente paraste, com uma cara que desarmaria até o mais decidido. Não consegui senão esboçar um sorriso e tirar-te uma ultima fotografia. Percebi naquela altura, e ainda hoje acredito, que não tinha sido o acaso a dar-te nome de Rainha.
Podem passar 100 anos que esta história será sempre a "tua" história comigo. Quanto à fotografia, tirei-a hoje da moldura que a guarda, no meu escritório, para a partilhar aqui contigo. É ela que, dia a dia, me faz companhia e me lembra, se é que é possivel esquecer, que serás sempre grande. Grande como uma Rainha, Leonor.

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