domingo, 4 de outubro de 2009

La Negra

Acabo de chegar a Buenos Aires e a primeira noticia que vejo nas televisões do aeroporto é que morreu a Mercedes Sosa.. Grandes chamadas de atenção para aquele que será, certamente, um dia negro para a maioria dos Argentinos. Mercedes Sosa era uma espécie de Amália das Pampas pelo que é fácil imaginar a comoção popular que a sua morte provoca. Foi uma cantora popular, folclórica, mas com uma voz inigualavel. Tão inigualavel que não há vez nenhuma que eu venha a Buenos Aires que não procure o seu CD mais recente para levar para Lisboa.

Vi-a ao vivo no Teatro Colon, em 2004 e em Buenos Aires, acompanhada por uma Orquesta Sinfonica e diversos convidados. Foi um espectaculo fantástico em que a voz de "la negra" (voz de contralto), habituada às canções de protesto e às militâncias de esquerda, estava desta vez acompanhada pelo elitismo de uma orquesta completa. A distribuição da orquesta era a habitual e sobresaia a figura sentada no centro daquele palco gigantesco, vestida de preto com um xaile vermelho, tão vermelho que rivalizava com os pesados e enormes cortinados de veludo do Colon.

Impressionante era ver o publico de um dos mais conhecidos teatros da América, rendido, a aplaudir de pé a maior cantora argentina. Provavelmente o mesmo publico que agora, já perto das 23H00 aqui em Buenos Aires, espera pacientemente à porta do lugar onde o seu corpo está em camara ardente para prestar-lhe a ultima homenagem. Enquanto isso, na televisão, transmitem extractos de concertos com algumas das musicas que a tornaram popular.

Por mim, a unica homenagem de que me lembro é amanha tentar comprar mais alguns CDs da Mercedes Sosa. Será certamente uma maneira fantástica de relembrar aquele concerto de 2004.

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